http://reformados.com.br
Doutrina reformada.
Teoria musical: o ciclo das quintas e as partituras
Armaduras
Como já foi dito na lição sobre o ciclo das quintas ascendentes e descendentes, você pode usar essas ferramentas para saber com que escala estamos lidando, dado o número de acidentes que ela contém.
Eu imagino que qualquer um que já tenha pego alguma partitura tenha percebido algumas características delas. A maioria começa com uma clave de sol (no caso das partituras para violão, teclado, piano e outros) e, ao lado da clave, há a divisão de tempo (4/4, 2/4, 5/8, 3/8, etc). Em algumas dessas partituras, há, entre a clave e o tempo, algumas “armaduras”, ou seja, alguns sinais de sustenido ou bemol nas linhas da pauta. Como essas:

Se você ainda não manja de ciclo das quintas, não prossiga. Leia aquela lição novamente!
Quantas armaduras você vê ali? Seis, certo? Qual é a escala que tem seis sustenidos? Siga o ciclo das quintas ascendentes: dó, sol, ré, lá, mi, si, fá sustenido. A escala maior de dó não tem sustenidos, a escala maior de sol tem um sustenido, etc… Então, a escala maior de fá sustenido tem seis sustenidos.
E o que isso significa? Siginifica que o tom da música em questão é fá sustenido! Agora, olhe novamente as armaduras, e identifique as notas em que elas estão. De baixo para cima são: lá, dó, ré, mi, fá, sol. Não tenha dúvidas aqui: olhe pro desenho e veja isso! Isso é importante!
Agora, vamos montar a escala maior de fá sustenido:
fá sustenido
sol sustenido
lá sustenido
si
dó sustenido
ré sustenido
mi sustenido
fá sustenido
Deu pra entender? Durante toda a música, usaremos apenas as notas da escala maior de fá sustenido, a não ser que a partitura peça o contrário.
Por que isso?
Ora, pense bem em como seria botar uma música toda na partitura jogando um sinal de sustenido em cada uma das seis notas da escala! A partitura seria uma confusão tremenda! Botando as armaduras no início, o músico já saca que, cada vez que ele for tocar um dó, no caso citado, ele deve tocar um dó sustenido, a não ser que haja um sinal explicitando o contrário.No fim das contas, o que conta é o modo com que você olha a partitura. Ela não indica notas: ela indica escalas. Quer dizer, ela não diz “dó”, mas diz “tônica”. No exemplo que eu dei, ao invés de dizer “dó” (ou seja, fazer isso jogando uma bolinha na linha correspondente ao dó), ela diz “quinta maior da escala de fá sustenido”. Se você tiver isso bem claro na sua mente, a partitura fica menos complicada do que ficar lidando com as notas assim, por elas mesmas.
Teoria musical: o ciclo das quintas
O ciclo das quintas
O ciclo das quintas é uma ferramenta que serve para saber o número de acidentes numa escala. Eu, particularmente, não gosto de chamar os sustenidos e bemóis de “acidentes”, mas, como todos chamam, eu me obrigo a chamar também…
O ciclo das quintas ascendente serve para sabermos o número de sustenidos. O ciclo das quintas descendente serve para sabermos o número de bemóis.
Vou dar um exemplo: quantas notas sustenidas há na escala maior de ré? A resposta é duas. Por quê? Pelo ciclo das quintas ascendente.
dó - 0 sustenidos
sol - 1
ré - 2
lá - 3
mi - 4
si - 5
fá sustenido - 6
dó sustenido - 7
Lembra que pra montar a tabuada do nove você ia numerando pra cima e para baixo? Pois é, essas coisas são cheias de macetes. Dê uma olhada nas notas “uma sim, uma não”. Depois, veja elas “uma não, uma sim”: é só ir pulando um tom até o dó sustenido (no qual, logicamente, todas as notas são sustenidas).
dó - 0 bemóis
fá - 1
si bemol - 2
mi bemol - 3
lá bemol - 4
ré bemol - 5
sol bemol - 6
dó bemol - 7
Resposta simples: nenhum, pois fá não está no ciclo das quintas ascendente.
Resposta complexa: vamos montar a escala maior de fá.
fá
sol
lá
si bemol
dó
ré
mi
fá
Resultado: nenhum, mesmo.
b) quantos sustenidos há na escala maior de fá sustenido?
Resposta simples: 6.
Resposta complexa: vamos montar a escala maior de fá sustenido.
fá sustenido
sol sustenido
lá sustenido
si
dó sustenido
ré sustenido
mi sustenido (que é fá)
fá sustenido (que já foi contado)
Resultado: 6.
Perceba que, ao contrário do que alguns dizem, existe, sim, o “mi sustenido”. Tudo bem que ele é exatamente a mesma coisa que “fá”, mas, na partitura e na contagem de armaduras, ele é um “mi” que é sustenido, ou uma sétima maior, sendo a sétima uma nota, teoricamente, diferente da oitava.
Você nunca repete um nome ao falar uma escala.
c) quantos bemóis há na escala maior de fá?
Resposta simples: 1.
Resposta complexa: vide pergunta “a”.
d) quantos bemóis há na escala maior de fá sustenido?
Reposta simples: nenhum, pois fá sustenido não consta no ciclo das quintas descendente.
Resposta complexa: vide resposta “b”.
Você pode ir só descendo, se quiser, ou pegar o dó da corda 1 (casa
e ir só sbindo, lembrando daquele “desvio” entre as duas primeiras cordas e as outras (você sobe pela 8, mas na corda 3 passa a subir pela 7).
Para quem conhece as escalas, verá que o intervalo invertido da quinta é a quarta justa. Por exemplo: dó é a quinta de fá. Então, fá é a quarta de dó. Assim, você pode transformar o “ciclo das quintas descendente” no “ciclo das quartas ascendente”.
O ciclo das quintas ascendente serve para sabermos o número de sustenidos. O ciclo das quintas descendente serve para sabermos o número de bemóis.
Vou dar um exemplo: quantas notas sustenidas há na escala maior de ré? A resposta é duas. Por quê? Pelo ciclo das quintas ascendente.
Montando o ciclo das quintas ascendente
É bem simples fazer isso. Começando no dó, você pergunta: “quem é a quinta de dó?”, e bota a resposta depois do dó. A resposta é sol. Daí pergunta novamente: “quem é a quinta de sol?”, e bota a resposta depois de sol. A resposta é ré. E por aí vai. Assim, sabemos que a escala maior de dó não tem acidentes. A escala maior de sol tem um sustenido, e a escala maior de ré tem dois sustenidos.dó - 0 sustenidos
sol - 1
ré - 2
lá - 3
mi - 4
si - 5
fá sustenido - 6
dó sustenido - 7
Lembra que pra montar a tabuada do nove você ia numerando pra cima e para baixo? Pois é, essas coisas são cheias de macetes. Dê uma olhada nas notas “uma sim, uma não”. Depois, veja elas “uma não, uma sim”: é só ir pulando um tom até o dó sustenido (no qual, logicamente, todas as notas são sustenidas).
Montando o ciclo das quintas descendente
Agora, ao invés de subirmos uma quinta, vamos descer uma quinta. A pergunta passa a ser: “o dó é quinta de quem?”.dó - 0 bemóis
fá - 1
si bemol - 2
mi bemol - 3
lá bemol - 4
ré bemol - 5
sol bemol - 6
dó bemol - 7
Prova real
a) quantos sustenidos há na escala maior de fá?Resposta simples: nenhum, pois fá não está no ciclo das quintas ascendente.
Resposta complexa: vamos montar a escala maior de fá.
fá
sol
lá
si bemol
dó
ré
mi
fá
Resultado: nenhum, mesmo.
b) quantos sustenidos há na escala maior de fá sustenido?
Resposta simples: 6.
Resposta complexa: vamos montar a escala maior de fá sustenido.
fá sustenido
sol sustenido
lá sustenido
si
dó sustenido
ré sustenido
mi sustenido (que é fá)
fá sustenido (que já foi contado)
Resultado: 6.
Perceba que, ao contrário do que alguns dizem, existe, sim, o “mi sustenido”. Tudo bem que ele é exatamente a mesma coisa que “fá”, mas, na partitura e na contagem de armaduras, ele é um “mi” que é sustenido, ou uma sétima maior, sendo a sétima uma nota, teoricamente, diferente da oitava.
Você nunca repete um nome ao falar uma escala.
c) quantos bemóis há na escala maior de fá?
Resposta simples: 1.
Resposta complexa: vide pergunta “a”.
d) quantos bemóis há na escala maior de fá sustenido?
Reposta simples: nenhum, pois fá sustenido não consta no ciclo das quintas descendente.
Resposta complexa: vide resposta “b”.
O ciclo das quintas ascendente no violão
Bote o dedo na casa 3 / corda 5. Esse é o dó. Exatamente acima dele, na casa 3 / corda 6, está o sol. As quintas são assim: ou exatamente em cima, ou na corda anterior, duas casas depois. A quinta do sol é ré, que está na corda 5 / casa 5. A quinta do ré é lá, que está exatamente acima dele.Você pode ir só descendo, se quiser, ou pegar o dó da corda 1 (casa
O ciclo das quintas descendente no violão
Usando o mesmo raciocínio acima, a nota da qual “eu” sou a quinta está exatamente abaixo de mim, certo? No caso do dó na corda 5 / casa 3, a nota da qual ele é quinta está abaixo dele (corda 4, casa 3). Ou voltando duas casas e subindo uma corda (corda 6, casa 1).Para quem conhece as escalas, verá que o intervalo invertido da quinta é a quarta justa. Por exemplo: dó é a quinta de fá. Então, fá é a quarta de dó. Assim, você pode transformar o “ciclo das quintas descendente” no “ciclo das quartas ascendente”.
Teoria musical: inversões
10 - Inversões
Você já viu aquela notação com dois acordes e uma barra no meio? Como C7+/G. Isso é uma inversão, ou seja, a nota mais grave desse acorde deixou de ser a tônica, e passou a ser alguma outra. No exemplo dado, o baixo (a nota mais grave) é o sol.
É importante salientar que a sonoridade dum acorde quase não muda quando este é invertido se o mesmo for uma tríade. Se você toca violão, quase sempre pode ignorar o segundo acorde. Se toca teclado, pode usar apenas o segundo acorde e ignorar o primeiro.
Quando se trata de tétrades (com a sétima presente), aí sim, o som fica bem diferente.
F7+ = fá, lá, dó, mi.
F7+/A = lá, dó, mi, fá.
Vejamos agora os intervalos:
Entre fá e lá: terça maior
Entre fá e dó: quinta justa
Entre fá e mi: sétima maior
Entre lá e dó: terça menor
Entre lá e mi: quinta justa
Entre lá e fá: sexta
Assim, F7+/A poderia ser chamado de Am6. E Am6 tem cara de relativo menor. Assim, um acorde com inversão poderia ser usado para fazer o papel de dois acorde, nesse caso: Am e F7+. Seria um “policorde”.
É claro que essas mudanças todas são bem relativas, e dependem muito da música. Há casos em que trocar um acorde por seu relativo menor é absurdo, há casos em que ignorar uma inversão acaba com a melodia. Há casos e casos. O importante é ter consciência de tudo isso, pois são ferramentas muito úteis em vários momentos da vida de um músico (quando um acorde é complicado e você não tem tempo de se acostumar, ou uma corda arrebentou, ou quando você quer fazer algo diferente e bonito).
É importante salientar que a sonoridade dum acorde quase não muda quando este é invertido se o mesmo for uma tríade. Se você toca violão, quase sempre pode ignorar o segundo acorde. Se toca teclado, pode usar apenas o segundo acorde e ignorar o primeiro.
Quando se trata de tétrades (com a sétima presente), aí sim, o som fica bem diferente.
Funções das inversões
As inversões podem, de certa forma, mudar a função dum acorde. Imagine uma música cujo tom é C. Nesse campo harmônico, F7+ é o subdominante. Mas, que acontece se usarmos um F7+/A? Veja só:F7+ = fá, lá, dó, mi.
F7+/A = lá, dó, mi, fá.
Vejamos agora os intervalos:
Entre fá e lá: terça maior
Entre fá e dó: quinta justa
Entre fá e mi: sétima maior
Entre lá e dó: terça menor
Entre lá e mi: quinta justa
Entre lá e fá: sexta
Assim, F7+/A poderia ser chamado de Am6. E Am6 tem cara de relativo menor. Assim, um acorde com inversão poderia ser usado para fazer o papel de dois acorde, nesse caso: Am e F7+. Seria um “policorde”.
É claro que essas mudanças todas são bem relativas, e dependem muito da música. Há casos em que trocar um acorde por seu relativo menor é absurdo, há casos em que ignorar uma inversão acaba com a melodia. Há casos e casos. O importante é ter consciência de tudo isso, pois são ferramentas muito úteis em vários momentos da vida de um músico (quando um acorde é complicado e você não tem tempo de se acostumar, ou uma corda arrebentou, ou quando você quer fazer algo diferente e bonito).
Teoria musical: campo harmônico e acordes com sétima
09 - Campo harmônico e os acordes com sétima
As sétimas dos acordes ajudam a descobrir as funções dos mesmos numa melodia. Se você tem um acorde X7+, pode saber que ele é o tom ou o subdominante. Se é Xm7, ele é o relativo menor de alguém. Um Xdim já acusa que o tom da música é (X+1)7+.
Site: B. C. Rich Guitars
Guitarras B. C. Rich. Dessa vez o site é só para vocês babarem.
http://www.bcrich.com/
Teoria musical: acordes, campo harmônico e modos gregos
08 - Acordes, campo harmônico e modos gregos
Todo guitarrista solo que se preze sabe que, em geral, você pode usar a escala do relativo menor do tom para solar. Quando a música é em C, pode-se, em geral, solar em Am. Se a música é em G, pode-se solar em Em. O problema é que alguns músicos acham que isso é apenas um fenômeno natural, sem explicação, e esquecem que o relativo menor é formado usando-se o modo aeólio da escala maior do tom.
Em resumo, se o tom é C, então, começando uma escala pelo sexto tom da escala maior de dó (que é o modo aeólio), temos a escala menor de lá, que gera o acorde Am. Mas isso não é exclusividade da escala menor natural. Pode-se solar, por exemplo, no modo dórico de ré, ou no modo frígio de mi.
Os modos estão diretamente relacionados aos graus do campo harmônico. Você lembra que formamos um Dm usando os graus I, III e V do modo dórico de ré? E o ré não é o grau II da escala maior de dó? Logo, no campo harmônico maior de dó, o D é menor! Faz sentido! Tudo se encaixa. Assim, ao escolher uma escala para se solar, têm-se, já de prima, sete opções:
dó jônio (que gera C7+)
ré dórico (que gera Dm7)
mi frígio (que gera Em7)
fá lídio (que gera F7+)
sol mixolídio (que gera G7)
lá aeólio (que gera Am7, o menor relativo de C)
si lócrio (que gera Bdim)
Em resumo, se o tom é C, então, começando uma escala pelo sexto tom da escala maior de dó (que é o modo aeólio), temos a escala menor de lá, que gera o acorde Am. Mas isso não é exclusividade da escala menor natural. Pode-se solar, por exemplo, no modo dórico de ré, ou no modo frígio de mi.
Os modos estão diretamente relacionados aos graus do campo harmônico. Você lembra que formamos um Dm usando os graus I, III e V do modo dórico de ré? E o ré não é o grau II da escala maior de dó? Logo, no campo harmônico maior de dó, o D é menor! Faz sentido! Tudo se encaixa. Assim, ao escolher uma escala para se solar, têm-se, já de prima, sete opções:
dó jônio (que gera C7+)
ré dórico (que gera Dm7)
mi frígio (que gera Em7)
fá lídio (que gera F7+)
sol mixolídio (que gera G7)
lá aeólio (que gera Am7, o menor relativo de C)
si lócrio (que gera Bdim)
Postado por
Cléber
|
Marcadores:
acordes,
campo harmônico,
modos gregos,
teoria musical
|
0
comentários
Assinar:
Postagens (Atom)