Teoria musical: o ciclo das quintas e as partituras

Armaduras


Como já foi dito na lição sobre o ciclo das quintas ascendentes e descendentes, você pode usar essas ferramentas para saber com que escala estamos lidando, dado o número de acidentes que ela contém.
Eu imagino que qualquer um que já tenha pego alguma partitura tenha percebido algumas características delas. A maioria começa com uma clave de sol (no caso das partituras para violão, teclado, piano e outros) e, ao lado da clave, há a divisão de tempo (4/4, 2/4, 5/8, 3/8, etc). Em algumas dessas partituras, há, entre a clave e o tempo, algumas “armaduras”, ou seja, alguns sinais de sustenido ou bemol nas linhas da pauta. Como essas:

Se você ainda não manja de ciclo das quintas, não prossiga. Leia aquela lição novamente!


Quantas armaduras você vê ali? Seis, certo? Qual é a escala que tem seis sustenidos? Siga o ciclo das quintas ascendentes: dó, sol, ré, lá, mi, si, fá sustenido. A escala maior de dó não tem sustenidos, a escala maior de sol tem um sustenido, etc… Então, a escala maior de fá sustenido tem seis sustenidos.
E o que isso significa? Siginifica que o tom da música em questão é fá sustenido! Agora, olhe novamente as armaduras, e identifique as notas em que elas estão. De baixo para cima são: lá, dó, ré, mi, fá, sol. Não tenha dúvidas aqui: olhe pro desenho e veja isso! Isso é importante!
Agora, vamos montar a escala maior de fá sustenido:
fá sustenido
sol sustenido
lá sustenido
si
dó sustenido
ré sustenido
mi sustenido
fá sustenido
Deu pra entender? Durante toda a música, usaremos apenas as notas da escala maior de fá sustenido, a não ser que a partitura peça o contrário.

Por que isso?

Ora, pense bem em como seria botar uma música toda na partitura jogando um sinal de sustenido em cada uma das seis notas da escala! A partitura seria uma confusão tremenda! Botando as armaduras no início, o músico já saca que, cada vez que ele for tocar um dó, no caso citado, ele deve tocar um dó sustenido, a não ser que haja um sinal explicitando o contrário.
No fim das contas, o que conta é o modo com que você olha a partitura. Ela não indica notas: ela indica escalas. Quer dizer, ela não diz “dó”, mas diz “tônica”. No exemplo que eu dei, ao invés de dizer “dó” (ou seja, fazer isso jogando uma bolinha na linha correspondente ao dó), ela diz “quinta maior da escala de fá sustenido”. Se você tiver isso bem claro na sua mente, a partitura fica menos complicada do que ficar lidando com as notas assim, por elas mesmas.

1 comentários:

cely disse...

Olá, Cléber,

E a continuação das suas espetaculares aulas sobre teoria musical? Estamos esperando, cara. Não pára, não. Você tem jeito para a coisa.

Cely.

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