Teoria musical: campo harmônico

06 - Campo harmônico

Se você toca violão ou teclado na igreja, ou se curte tocar música popular (tipo Rita Lee, Paralamas do Sucesso ou Jota Quest), deve ter percebido que alguns acordes são, quase sempre, maiores e outros são, quase sempre, menores. Talvez você tenha percebido, por exemplo, que nas músicas que começam com G, o D é sempre maior e, quando a música começa em C, o D é sempre menor. Quase sempre é assim. E isso tem um bom motivo.
O campo harmônico é um conjunto de acordes. Você deve ter notado que o estudo de teoria musical é cheio de agregação: várias notas formam uma escala, das escalas saem os acordes e vários acordes formam um campo harmônico. Assim que formarmos nosso primeiro campo, muita coisa passará a fazer sentido.

É difícil dar uma boa definição de campo harmônico, então, ao invés de ficar tentando explicar, vamos botar logo a mão na massa. Formaremos um dos campos harmônicos mais usados nas músicas em geral, o campo harmônico maior de dó. Alguns o chamam de “campo harmônico de dó maior” (o que me parece mais correto).


O que você vai precisar é: saber formar uma escala maior, saber formar um acorde (pegando os graus certos da escala) e saber identificar um acorde (chamá-lo de maior ou menor, por exemplo). E tudo isso você já deve saber.
Pois bem, o primeiro passo é dar o tom: C. Sabemos que o C é formado por dó, mi e sol. Sabemos, também, que o mi é a terça maior de dó, por isso o acorde é maior. Vamos jogar isso no topo duma tabela:

dó - mi - sol = C
Agora, fazemos o seguinte: escrevemos as notas uma embaixo da outra, em ordem, seguindo a escala maior de dó.
dó - mi - sol = C
ré - fá - lá
mi - sol - si
fá - lá - dó
sol - si - ré
lá - dó - mi
si - ré - fá
dó - mi - sol

Pronto. Veja que a primeira coluna é a própria escala maior de dó. A segunda e a terceira também, mas começam em outras notas. Até agora, usamos nosso conhecimento de escalas. Agora, olhando para as linhas dessa tabela, formaremos os acordes. Veja a segunda linha: ré - fá - lá. Entre ré e fá há 1,5 tom, e entre ré e lá há 4,5 tons, ou seja: terça menor e quinta justa. Conclusão? Dm!
dó - mi - sol = C
ré - fá - lá = Dm
mi - sol - si = Em
fá - lá - dó = F
sol - si - ré = G
lá - dó - mi = Am
si - ré - fá = Bdim
dó - mi - sol = C

O B, na verdade, é “meio diminuto”, pois não estamos formando acordes com sétima ainda.
E essa é a fórmula dos campos harmônicos maiores: maior, menor, menor, maior, maior, menor, diminuto, maior. Veja isso na tabela. Se quisermos formar, agora, o campo harmônico de sol maior, por exemplo, basta jogarmos esses “maior, menor” na escala de sol, e teremos: sol maior, lá menor, si menor, dó maior, ré maior, mi menor, fá sustenido diminuto e sol maior, ou “G, Am, Bm, C, D, Em, F#dim, G”. Simples.

Agora você entendeu o porquê de o D ser menor quando o tom é C, e maior quando o tom é G? Olhe os campos harmônicos!

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